É sabido que todos, ricos e pobres, cultos e leigos, religiosos ou não, estão sujeitos a passar por alguma dificuldade na vida. E quando tais situações são retratadas de forma cômica, ninguém resiste a uma boa risada.Nesse sentido o cidadão nordestino foi agraciado com uma maravilha da sétima arte. O filme “Ai que vida”, dirigido pelo maranhense Cícero Filho, é um fenômeno de audiência, pois mostra, com um humor típico da região, um toque de romantismo infantil e uma boa pitada de crítica político-social, o cotidiano de um povo batalhador que não se acomoda diante dos vários problemas que surgem. O público se “vê” na “TV”.
Assim, quem assiste à febre “Ai que vida”, que provoca do riso e ao choro, percebe que não está só, que suas angústias são as mesmas de milhares de outras pessoas e que sua vida pode ser – e está sendo – tema de produções conhecidas e de grande valor nacional. O reconhecimento do cidadão nordestino enquanto um ser pensante, capaz de se indignar e, principalmente, alterar a estrutura política e, por consequência, social de sua região faz do referido filme uma espécie de marco no cinema brasileiro.
Diante disso, é válido lembrar que certas obras fazem sucesso por tematizarem aspectos do dia-a-dia de uma determinada população. Mexendo com a auto-estima de uma comunidade sofrida, mas, alegre, Cícero filho supera a alienação dos estereótipos regionais e transforma pessoas comuns em atores e o “povão” do nordeste, em tema gerador.
Júlio Sales
